Pergunte a dez aprovados como estudaram e nove vão citar a mesma coisa: questões de provas anteriores, muitas, da banca do concurso. É o método com mais consenso entre quem passou. Também é o método que mais gente aplica errado.
Este guia explica por que ele funciona, como escolher as questões certas e qual é o erro que transforma três mil questões resolvidas em quase nenhum progresso.
Por que questões anteriores funcionam melhor do que ler
Ler um capítulo dá a sensação de aprender. Resolver uma questão sobre ele mostra se você aprendeu. A diferença entre as duas coisas é o que a pesquisa em aprendizagem chama de efeito de teste: tentar recuperar uma informação da memória fixa essa informação muito mais do que reler.
Além disso, a questão anterior carrega algo que nenhum livro tem: o jeito da banca perguntar. Cada banca tem vícios de redação, pegadinhas favoritas e tópicos que cobra mais. A Cebraspe esconde o erro numa palavra absoluta. A FCC gosta de literalidade da lei. A FGV monta enunciados longos com situação hipotética. Só a questão real ensina isso.
Escolha as questões certas: banca primeiro, depois tópico
Não é qualquer questão. É a questão da sua banca, no tópico do seu edital, de preferência dos últimos cinco anos.
A ordem de prioridade:
- Mesma banca, mesmo cargo ou cargo parecido, últimos 5 anos. É o ouro. Costuma ser um conjunto pequeno, de algumas centenas de questões por disciplina.
- Mesma banca, qualquer cargo, mesmo tópico. Amplia o volume mantendo o estilo.
- Outras bancas, mesmo tópico. Serve para volume e para cobrir assuntos que a sua banca cobrou pouco. Use com moderação, porque o estilo é diferente.
O acervo do Yatta reúne 248 mil questões reais, sendo 95 mil da Cebraspe, 50 mil da FCC, 45 mil da Cesgranrio e 26 mil da FGV, todas classificadas por disciplina e assunto. A sessão de estudo prioriza a banca do seu concurso e, dentro dela, os assuntos do seu edital.
O erro mais comum: resolver sem revisar o erro
Aqui está o que separa três mil questões úteis de três mil questões desperdiçadas.
O candidato resolve 30 questões, confere o gabarito, vê que acertou 18, anota "60%" e passa para o próximo bloco. As 12 erradas ficaram para trás. Amanhã ele erra as mesmas 12, ou variações delas, e anota "60%" de novo.
A questão errada é o único momento em que você descobre exatamente o que não sabe. Passar por ela sem parar é jogar fora a informação mais valiosa da sessão.
O que fazer com cada erro:
- Leia a explicação até entender por que a resposta certa está certa, e não só por que a sua está errada. São coisas diferentes.
- Classifique o motivo: não sabia o conteúdo, li errado o enunciado, caí numa pegadinha, ou errei por pressa. Cada motivo pede um remédio diferente. Conteúdo pede teoria. Leitura pede calma. Pegadinha pede mais questões daquela banca.
- Coloque a questão numa fila de revisão e refaça em dois ou três dias, sem olhar a resposta anterior. Se acertar, ela sai da fila. Se errar de novo, volta para a teoria.
Esse ciclo é o que o Yatta chama de Revisão de Erros: toda questão errada entra numa fila, e cada acerto tira ela de lá. Se você estuda por conta própria, uma planilha com número da questão, motivo do erro e data da próxima revisão cumpre o mesmo papel.
Quantas questões por dia
Menos do que você imagina, com mais atenção do que você costuma dar. Vinte questões bem corrigidas ensinam mais do que sessenta conferidas no gabarito.
Uma referência prática para quem tem pouco tempo, detalhada no guia sobre estudar para concurso trabalhando:
- Sessão de 45 minutos: 15 a 20 questões de Certo e Errado, ou 10 a 12 de múltipla escolha, com correção.
- Intervalo de 20 minutos: 10 questões de revisão dos erros anteriores.
- Semana com cinco sessões: entre 100 e 150 questões novas, mais 50 de revisão.
Em quatro meses, isso passa de dois mil questões. É volume suficiente para a maioria dos concursos, desde que cada erro tenha sido revisado.
Questão inédita no estilo da banca, quando faz sentido
Há assuntos no edital que a banca cobrou pouco ou nunca. Concurso novo, tópico recém-incluído no programa, legislação que mudou. Para esses casos, a questão anterior não existe.
A saída é a questão inédita escrita no estilo da banca: mesmo formato, mesma redação, mesmos tipos de pegadinha, mas sobre o assunto que faltava. No Yatta, essas questões são geradas a partir das reais da própria banca e sempre identificadas como inéditas, para você saber quando está treinando com prova e quando está treinando com simulação.
Use as inéditas para cobrir lacunas, não para substituir as anteriores. A prova real continua sendo a melhor referência do que a banca faz.
Um sinal de que você está estudando certo
Depois de três ou quatro semanas, você começa a prever a resposta antes de terminar de ler o item. Reconhece a estrutura da pegadinha. Sabe qual palavra vai decidir. Esse é o momento em que as questões anteriores começam a pagar, e ele só chega com volume da banca certa e revisão de cada erro.
Perguntas frequentes
Quantas questões preciso resolver para passar?
Não há número fixo. Aprovados em concursos de nível médio costumam relatar entre 2 mil e 5 mil questões; em concursos de nível superior mais concorridos, acima de 5 mil. O que importa mais do que o total é a proporção de erros revisados e a concentração na banca do concurso.
Vale a pena resolver questões de outras bancas?
Como complemento, sim, em tópicos que a sua banca cobrou pouco. Como base, não. O estilo da banca é parte do que a prova avalia, e só se aprende com questões dela.
Devo estudar a teoria antes de começar as questões?
Comece pelas questões. A teoria entra a partir do erro, no trecho específico que a questão exigiu. Esse caminho é mais rápido e fixa mais do que ler todo o conteúdo antes de praticar.