O edital é o único documento que diz exatamente o que cai na sua prova. Mesmo assim, a maioria dos candidatos lê o edital uma vez, guarda o PDF e volta a estudar por um cronograma genérico copiado de outra pessoa. O resultado é previsível: horas em assuntos que valem pouco e lacunas em assuntos que valem muito.
Este guia mostra como fazer o caminho inverso. Você parte do conteúdo programático, descobre o peso real de cada matéria e só então distribui as horas da sua semana.
O que o edital entrega de graça
Todo edital de concurso público tem três blocos que interessam ao plano:
- Conteúdo programático: a lista de assuntos por disciplina. É a fronteira do que pode ser cobrado.
- Quadro de provas: quantas questões cada disciplina tem e, muitas vezes, o peso de cada uma na nota final.
- Regras de eliminação: nota mínima por disciplina ou por bloco. Uma matéria com poucas questões pode eliminar você sozinha.
Leia os três blocos antes de abrir qualquer apostila. Anote, para cada disciplina, o número de questões e a nota mínima. Essa tabela de uma página vale mais do que qualquer cronograma pronto.
Passo 1: descubra o peso real de cada disciplina
O peso de uma disciplina não é só o número de questões. É o número de questões multiplicado pela sua distância até a nota necessária.
Um exemplo simples. Suponha um edital com 20 questões de Direito Administrativo e 10 de Raciocínio Lógico. Se você já acerta 80% de Administrativo e 30% de Lógico, os 10 pontos de Lógico têm mais espaço para crescer do que os 20 de Administrativo. O plano precisa refletir isso.
Faça o cálculo com três colunas: quantas questões a disciplina tem, quanto você acerta hoje e quantos pontos ainda estão na mesa. Ordene pela última coluna. Essa é a sua ordem de prioridade real.
Se você ainda não sabe quanto acerta, resolva um bloco pequeno de questões da banca por disciplina antes de fechar o plano. Dez questões por matéria já dão uma primeira leitura. O Yatta faz isso no primeiro acesso, com seis questões de diagnóstico antes de montar qualquer coisa.
Passo 2: quebre cada disciplina nos assuntos do edital
Estudar "Direito Constitucional" não é uma tarefa. Estudar "Direitos e garantias fundamentais, artigo 5º" é. O conteúdo programático já vem quebrado em tópicos. Use essa quebra como unidade do plano.
Para cada tópico, marque uma de três situações:
- Nunca vi.
- Já vi, mas erro.
- Domino.
Os tópicos do grupo 1 e 2 formam a sua fila de estudo. Os do grupo 3 entram só em revisão espaçada. Essa classificação muda conforme você pratica, então volte nela a cada duas semanas.
Passo 3: descubra o que a banca realmente cobra dentro do edital
Aqui está a parte que quase ninguém faz. Dentro de um mesmo tópico do edital, a banca tem preferências. Em "Atos administrativos", por exemplo, a Cebraspe cobra muito mais os atributos e a classificação do que a teoria dos motivos determinantes. Essa informação não está no edital. Está nas provas anteriores.
Reúna as provas mais recentes da banca para o seu cargo, ou para cargos parecidos, e conte quantas questões saíram de cada tópico. Esse levantamento é trabalhoso de fazer à mão. É exatamente por isso que o Yatta cruza o conteúdo programático com as questões anteriores da banca: o cruzamento mostra, tópico por tópico, quanto a banca cobrou nos últimos anos.
Com esse dado em mãos, você tem duas listas: o que o edital permite cobrar e o que a banca costuma cobrar. Estude a interseção primeiro.
Passo 4: distribua as horas da semana
Agora, e só agora, entra o calendário. Comece pelas horas que você tem de verdade, não pelas que gostaria de ter. Se você trabalha, conta com uma a duas horas por dia nos dias úteis. Há um guia inteiro sobre como estudar para concurso trabalhando.
Regras que funcionam na prática:
- Uma disciplina de alta prioridade por dia, nunca cinco matérias em pedaços de 20 minutos.
- Metade do tempo em questões, desde a primeira semana. Teoria sem questão não fixa.
- Um dia por semana só de revisão dos erros acumulados.
- Meta diária pequena e cumprida vale mais do que meta grande e abandonada. Vinte questões por dia rendem mais do que 140 num domingo.
Um plano de 12 semanas para um edital com seis disciplinas costuma ficar assim: as duas disciplinas de maior prioridade aparecem três vezes por semana, as duas seguintes duas vezes, e as duas últimas uma vez. Ajuste as posições a cada ciclo de duas semanas, conforme a sua taxa de acerto muda.
Passo 5: use a taxa de acerto como bússola
O plano inicial é uma hipótese. A taxa de acerto em questões da banca é o dado que confirma ou corrige a hipótese. Mantenha um registro simples por tópico: questões resolvidas, acertos, data da última prática.
Três sinais para agir:
- Tópico com acerto acima de 80% em 30 ou mais questões: passa para revisão espaçada, sai da fila principal.
- Tópico com acerto abaixo de 50% depois de duas sessões: precisa de teoria de novo, não de mais questões.
- Tópico sem prática há mais de 15 dias: volta para a fila, mesmo que estivesse dominado.
Se preferir não manter a planilha, essa é a função do plano do Yatta: cada resposta atualiza a taxa por tópico e reordena o que vem no dia seguinte.
Um erro comum: o plano perfeito que nunca começa
Muita gente gasta uma semana montando o plano e não resolve uma questão nesse período. O plano bom é o que começa hoje com o que você tem e melhora enquanto você estuda. Monte a versão de uma página, escolha o primeiro tópico e resolva dez questões ainda hoje.
Perguntas frequentes
Quanto tempo antes da prova devo montar o plano?
Assim que o edital sair, ou antes, usando o edital anterior do mesmo órgão. Editais mudam pouco entre edições. Quem espera o edital novo para começar perde meses de preparação.
Devo estudar todas as disciplinas do edital?
Estude todas as que têm nota mínima de eliminação. Entre as demais, priorize pelo peso e pela sua distância até a nota, e aceite que algumas receberão menos tempo. Cobrir tudo com a mesma profundidade não é possível nem necessário.
Vale a pena usar um cronograma pronto da internet?
Como ponto de partida, sim. Como plano final, não. O cronograma pronto ignora o seu nível em cada matéria e as preferências da sua banca, que são justamente os dois fatores que mais mudam o resultado.